Origem do Karate
As Artes Marciais atuais tem suas raízes mais remotas nos séculos V e VI antes de Cristo, quando se encontram os primeiros indícios de lutas na Índia. Esta luta era chamada “Vajramushti”, cuja tradução aproximada poderia ser “Aquele cujo punho cerrado é inflexível”. “Vajramushti” foi o estilo de luta do “Kshatriya”, uma casta de guerreiros da Índia. Outra fonte pesquisada relata que, há cerca de 3.000 a 4.000 anos as lutas se verificam entre os povos orientais havendo registros de lutas entre monges indianos há 3.000 a.C., com rituais semelhantes à dança. As Artes Marciais originou-se dos movimentos de animais na luta pela sua sobrevivência, na caça a outros animais para se alimentarem e nos movimentos para se defenderem de ataque de outras espécies.
Conta a lenda que monges indianos observavam os movimentos dos animais, e da natureza, estudavam e adaptavam nos treinamentos para usá-los nas guerras. Fontes dão conta que no sul da Índia desenvolveu-se as artes marciais denominadas “Kalaripayt” e “Maipayat”, que foram introduzidas na China por marinheiros em busca de comércio.
A ERA DO BUDISMO
As artes marciais devem parte da sua existência ao monge Bodhisatva Avalokitesvara Bodhidharma, (“aquele cuja iluminação é penetrante”) também conhecido como “Ta Mo”, em chinês, “Daruma Taishi” em Japonês, nascido em fins do século V, d.C. (470 – 543), supostamente nascido em Kanchipuran, perto de Madras, filho do rei Sughanda, um Rajá da Índia e membro da nobreza “Kshastriya”, uma das inúmeras castas Hindus. Aprendeu Yoga e a arte do “Vajramushti” como parte da sua educação. Foi educado na religião Budista tendo por mestre o famoso Pragnatara. Bodhidharma se destacou tornando mais tarde o vigésimo oitavo patriarca. Bodhidharma viajou a china por volta da primeira metade do século VI, em torno de 520 depois de cristo, para reformar o Budismo Chinês que estava se distanciando dos dogmas ancestrais. Passou pela corte do soberano Liang Wu Ti sendo, contudo, bem acolhido no reino de Wei, estabelecendo-se depois no templo Shaolin (Shorin-ji), na província de Honan.
Nesta província Bodhidharma encontrou os monges Budistas em lamentável estado físico, tendo seus membros atrofiados devido ao longo período de meditação, vez que não eram dados a pratica de atividades físicas. Nessa ocasião, Bodhidharma introduziu no templo Shaolin o “Vajramushti”, chamado pelos chineses as 18 (dezoito) mãos de Lo Han - Os dezoito movimentos básicos. (Lo Han foi um famoso Discípulo guardião de Buda). Os ensinamentos de Bodhidharma são reconhecidos pelos historiadores como base da arte marcial chamada Shaolin Kung Fu na China no Japão Shorin-ji Kenpô.
Bodhidharma pregava a união do corpo com o espírito. Ensinava o que pensava ser bom para a saúde, e dizia ser a união do corpo com a alma algo indivisível para chegarmos a verdade, ao equilíbrio e a paz interior.
A ARTE DE OKINAWA
A Arte Marcial teve a sua ascensão em Okinawa com o Mestre Gichin Funakoshi que nasceu na cidade de Shuri, distrito de Yamakawacho em 1868, o mesmo ano da restauração da Era Meiji.
Funakoshi era filho único descendente de Samurai e oficial de patente inferior de nome Gizu. Logo após o seu nascimento foi levado para a casa dos seus avós maternos onde foi educado e aprendeu poesia clássica chinesa. Quando da sua freqüência na escola primária conheceu um garoto, que era filho de um dos maiores especialistas da arte marcial, de nome Yasutsune Azato do estilo Okinawa-tê, membro de uma família Shizoku das mais respeitadas, onde se iniciou uma grande amizade. Tendo sido o seu primeiro Mestre, pertencente aos daimios do clã Tonochi (senhor de um pequeno feudo).
Devido ter nascido prematuramente com compleição frágil e doentia, visto pelos seus pais e avós que concordaram que não estava destinado a uma vida longa, aos 11 (onze) anos devido a amizade com o filho do mestre Azato, passou a receber as primeiras lições sob sua excepcional orientação.
Naquele tempo a prática das artes marciais era proibida pelo governo, por isso as lições eram realizadas em segredo, e os alunos eram terminantemente proibidos de discutir com quem quer que fosse, o fato de estar aprendendo a arte marcial.
A prática somente podia ser realizada a noite e as escondida. Após vários anos de prática Funakoshi percebeu que sua saúde tinha melhorado definitivamente e que não era mais uma criança débil que fôra.
Gichin Funakoshi, teve também como seu mentor na senda do “To-de” (mão chinesa), o Mestre Yasutsune Itosu (secretário particular do rei Ryukyuano) do estilo Shuri-Tê, que também ministrava as aulas em sua casa na calada da noite, pelos mesmos motivos já explicitados anteriormente. Outros mestres também tiveram participação no aprendizado do Mestre Gichin Funakoshi: Mestre Kiyuna, Mestre Tõonno da cidade de Naha, Mestre Nigaki e mestre Sokon Matsumura.
Em 1888, aos 20 anos de idade, o mestre Gichin Funakoshi inscreveu-se e foi aceito como professor de uma escola de ensino fundamental aonde fez desta a sua carreira, sendo um dos responsáveis pela inclusão da arte Marcial nas escolas Públicas.
No começo deste século (1902) durante a visita de Shintaro Ogawa, que era então inspetor escolar da Prefeitura de Kagoshima, na escola de Funakoshi em Okinawa, foi feita uma demonstração da Arte Marcial. Funakoshi impressionou bastante devido ao seu status de educador. Shintaro Ogawa ficou tão impressionado, que escreveu um relatório ao Ministério da Educação elogiando as virtudes da arte. Foi então que o treinamento desta arte marcial passou a ser oficialmente autorizado nas escolas. A pedido de grandes mestres desta arte marcial (Okinawa-tê), que significa “Mão de Okinawa”, que não eram a favor da divulgação, o mestre Gichin trouxe até o Sistema Público de Ensino, com a ajuda do Mestre Itosu, o estilo Shuri-Tê de Okinawa. Logo os estudantes do ensino básico fundamental estavam praticando “Kata”, como parte das aulas de Educação Física.
Devido a duas importantes demonstrações de “Kata” feita por Funakoshi junto com a equipe composta por seus destacados alunos. A primeira para o Almirante Rokuro Yashiro que ficou tão impressionado que ordenou os seus comandados que iniciasse o aprendizado na arte. A segunda para o Almirante Dewa da primeira Esquadra Imperial da Marinha, isto em 1912, que também selecionou 12 (doze) homens seus subordinados para também treinarem a arte marcial, durante uma semana, começando desta forma a divulgação em Tókio, a capital do Japão.
Em Okinawa no ano de 1921, o príncipe herdeiro Hirohito, em viagem para Europa fez escala nesta cidade e assistiu a uma demonstração desta arte marcial (Okinawa-tê), dirigida por Funakoshi. Por causa desta apresentação Mestre Funakoshi foi convidado para fazer uma demonstração desta arte em Tokyo, numa exibição Atlética Nacional, no grande vestíbulo do Castelo de Shuri, tendo o príncipe declarado que ficou impressionado com três coisas em Okinawa: A paisagem encantadora, o córrego do Dragão da Fonte Mágica no Castelo de Shuri e o Okinawa-tê.
O KARATÊ-DO NO JAPÃO
A permanência de Funakoshi em Tókyo deve-se ao sucesso e a grande aceitação da demonstração do Okinawa-tê, adiando o seu retorno para casa, em face de inúmeros e insistentes pedidos para que ele ali continuasse, fizesse novas demonstrações do Okinawa-tê, tendo o grão mestre Jigoro Kano, fundador do Judô e o pintor Hõan Kasugi os que mais insistiram para que ele continuasse em Tókyo. O Mestre Funakoshi percebeu então que se ele quisesse ver a arte propagando por todo o Japão, ele mesmo teria que fazê-lo. Por isso resolveu ficar em Tókyo até que sua missão fosse cumprida.
Os ensinamentos dessa magnífica arte marcial se transformaram e se desenvolveram em novos sistemas de luta. Passaram a ser conhecido genericamente por “Tê”, que significa: Mão. Três principais núcleos de “Tê”, em Okinawa situavam-se nas cidades de: Shuri, Tomari e Naha. Consequentemente os três estilos básicos, tornaram-se como Shuri-Tê, Tomari-Tê e Naha-Tê.
Devido ao conflito Chino-Japonês, a mudança da denominação da arte marcial, Okinawa-tê ou To-de, passou a ser chamado de Karatê – Do, que significa, “Caminho das mãos vazias”. “Kara” de Karatê passou a significar o vazio (a não utilização de armas ou esvaziar o corpo de todos os desejos e vaidade terrenas), espírito vazio. “Tê” significa: mãos. “Do” significa caminho, estrada, segmento, filosofia de vida. O “Dô” foi acrescentado devido ao Mestre Funakoshi querer incutir o significado verdadeiro, que seria algo mais do que simples sistema de luta; “Como sobre a face polida de um espelho, se reflete tudo que está diante dele e como um vale calmo transmite os sons mais doces, assim o praticante de Karatê–Do deve ter o seu espírito livre de egoísmo e das coisas materiais num esforço por reagir a tudo que pode parecer adverso a ele”.
A partir daí, com a valiosa contribuição do Grão mestre Jigoro Kano do Judô, o Karatê-Do se expandiu rapidamente no Japão, ocasião em que o mestre Gichin Funakoshi, designou os seus alunos mais graduados e de sua confiança para difundir o Karatê - Do na Ásia, Europa e Américas, tornando-o a arte marcial mais praticada no mundo.
A MORTE DO GRÃO MESTRE.
Em 26 de Abril de 1957, do alto dos seus 89 anos, o Grão Mestre Gichin Funakoshi falece, deixando um legado inestimado para toda Humanidade: O KARATÊ – DO.
No leito de morte ele proferiu a frase: “Agora acho que sei o que é um Tzuki”.


